quinta-feira, 14 de julho de 2011

LESTE DE ANGOLA - 21

“LESTE DE ANGOLA”

Memórias de um passado saudoso

DE ANGOLA A MOÇAMBIQUE –  1973


     Depois de asseguradas as passagens de regresso a Angola pelo Comando da FAP instalado em Lourenço Marques – (circunstância que teria de tratar para evitar despesas avultadas a meu cargo pois, os voos nesta aventura de férias somavam-se em sete), eis que solicito uma boleia aérea ao piloto Tenente Martinho, e num “C-47”, tomo o rumo à Beira num percurso de quase três horas.
     Hospedado no “Bucelato”, “hotel” da FAP, na Beira, logo contacto com os colegas a fim de indagar a evolução da guerrilha na parte central do território. A minha intenção seria percorrer o caminho direccionado à Rodésia posto que, o Norte de Moçambique já tinha ficado fora de perspectiva por falta de transporte aéreo.
     No início, era de minha intenção visitar Quelimane, Nampula, Nacala e a Ilha de Moçambique porém, devido ao agravamento da guerra por terras da Gorongosa, a marcha terrestre tornava-se insegura… Assim, a 10 de Julho de 1973, tomo como destino a fronteira da Rodésia, e numa primeira etapa, consigo uma boleia para a localidade do Dondo.
     Na viatura, dou largas a uma conversa simpática com o meu interlocutor, engenheiro agrónomo, pessoa afável e interessada em saber sobre o meu propósito em terras do Índico. Satisfeito na sua curiosidade e por saber estar na presença dum militar doutras paragens, de imediato se ofereceu para me mostrar a fábrica açucareira que dirigia. Isto, quando chegássemos ao destino proposto.
     Em Mafambisse, lugar pouco distante do Dondo, assisti a todas as etapas da transformação da cana-de-açúcar até à obtenção do produto final – açúcar refinado e alourado. No presente, tomei conhecimento de que esta açucareira, financiada com capital estrangeiro, ainda se encontra em laboração produzindo cerca de sessenta mil toneladas de açúcar por ano, explora uma área de dez mil hectares de cana sacarina, emprega cinco mil trabalhadores que estão afectos na ocupação de limpeza dos campos de produção, controlo e irrigação até à queima, corte e transporte da cana. Todos estes contactos ocasionais serviram para me enriquecerem nas múltiplas localidades por onde passei. Pessoas que jamais encontrarei na minha vida!
     Do Dondo a Vila Pery , hoje, Chimoio, capital da província de Manica, eram poucos os quilómetros, e mais uma vez, me coloquei na berma esquerda da estrada para solicitar transporte. Direi esquerda, porque a condução era efectuada pelo lado contrário, à maneira inglesa, e que por sinal ainda se mantém assim nos dias presentes. A boleia, essa maneira de viajar, ficou-me no corpo aquando estudante em Leiria. Foram seis anos de treino que assentou por longos anos.
     Seguiram-se momentos de alguma apreensão enquanto viajava por estas paragens. Havia indícios de que esta via de comunicação, a principal para o escoamento do interior do país, se estava a tornar belicosa e o percurso ainda não se encontrava protegido com coluna militar à semelhança de outras regiões idênticas.
     Enfim, mais uma viagem haveria de seguir, e desta, com um casal que vivia na Vila Gouveia, povoação localizada para os lados de Tete, cidade onde a nossa Força Aérea mantinha o Aeródromo Base nº. 7, com a sua frota de aviões de reacção “Fiat´s” para protegerem a célebre barragem de “Cabora Bassa”, ainda em construção, e as fronteiras longínquas e imensas do lago Niassa.
     Após longa conversa com este casal, constatei o fundamento dos meus receios. Já cautelosos, prosseguiam viagem por estas paragens munidas de armamento e acompanhados de outros transeuntes. 
     Sempre atento às diferenças que o Continente Negro me pudesse ofertar, notei pelo caminho um bando de macacos de raça babuína - animais perigosos quando se sentem ameaçados. O meu desejo de obter uns “slides” e fotos para testemunhar as aventuras por tais paragens, levou com que o condutor parasse o “jeep”. Com a aproximação ao bando, fui informado para seguir na retaguarda porquanto, estes primatas, praticavam uma estratégia de defesa e ataque comuns ao “clan”. Os machos dominantes arreganham os dentes e posicionam-se entre o suposto inimigo e as fêmeas e os filhotes. Quando atravessam uma área aberta, geralmente andam em formação – as fêmeas e os filhotes no centro e os machos mais fortes em volta.
     Simplesmente o que nos aconteceu foi termos que fugir, mesmos após disparados uns tiros para o ar pois, fomos acossados por umas valentes pedradas arremessadas com peritagem, não fossem estes animais os prováveis antecessores dos humanos! …   
     Vista repentina pela Vila Pery, logo se seguiu a caminhada até à fronteira ao encontro do meu destino mais imediato, a vila Manica. Não fosse o tratado de Berlim, poderia seguir viagem por território português até à costa Angolana. Mas não, aqui parei porque os ingleses mandaram mais.
     Pé ante pé, entrei na vila e subitamente avistei uma Capela encimada numa colina. Representou-se com vincado simbolismo e apelou-me à saudade do meu “puto”. De escadaria íngreme e demorosa, afoitei-me a calcorreá-la. Lá de cima, avistei com facilidade toda a pequena extensão do casario que formava uma comunidade íntegra e familiar que após a independência se viria a dispersar pelos quatro cantos do Mundo.
      Foi nesta povoação que ocasionalmente teria que fazer mais um amigo.
     Faço o reparo de que quando estava para partir de Angola, um colega de H. de Carvalho, Sargento no administrativo da secretaria do Comando, de nome Guerreiro, me tinha solicitado para levar uma recordação para os sogros que viviam em Manica. Prontifiquei-me a prestar-lhe esse pedido porém, a hora de partida aconteceu, e o companheiro silenciou-se por razões alheias.
     Tão longe me encontrava, sem conhecer alguém, pensei em deparar-me com o tal “padeiro” que o Guerreiro tinha como parente. Percorridas as ruas por diversas vezes, porque a vila era pequena, logo encontrei uma padaria – a única da localidade. Cautelosamente, dirigi-me à senhora que fazia o atendimento e perguntei se era a proprietária do estabelecimento em causa. Respondendo afirmativamente, avancei com mais umas perguntas a fim de confirmar as ligações familiares, e tal foi o nosso espanto quando nos unimos com o interesse comum. Ela, era a mãe da esposa do Guerreiro, e eu, tornava-me o mensageiro das duas famílias. Levei-lhe as novidades de Angola e recolhi a mensagem de Moçambique para transmissão ao colega, seu genro.
     Senti-me entristecido por ver a reacção do amigo Guerreiro quando voltei da viagem e lhe transmiti o contacto e vivência que tinha tido com os seus sogros. Notei, que à última da hora, quando parti, ele não tinha confiado plenamente nos meus cuidados, e o presente tinha ficado em terra. 
     Mais tarde, quando fui desmobilizado, solicitou-me para lhe transferir alguns dinheiros que tinha amealhado na sua comissão em Angola. Nesta altura, a confiança tornou-se reforçada.
CAPELA DA VILA DE MANICA
      Voltando a Manica, direi que tinha ganho a confiança desta nova “família” que desde o primeiro instante se ofereceram para me alojarem no seu lar durante a minha curta permanência nestas paragens. Desta feita, o marido acompanhou-me pela cidade servindo de cicerone. Fomos até à fronteira da Rodésia, local onde diariamente ia fazer a venda do pão, e tentou ultrapassar comigo os limites fronteiriços, até à cidade próxima de Untali. Essa possibilidade tornou-se infrutífera devido à necessidade duma autorização militar que o exército teimou em não passar. O passaporte em si, não chegava para cruzar a fronteira. Poderia desertar após dois anos de comissão feita…
SERRA DE VUMBA
     Com conhecimentos adquiridos previamente aquando da minha preparação de viagem sobre a existência de diversas grutas com  pinturas rupestres situadas nas redondezas da Serra de Vumba, pedi ao meu amigo padeiro para me acompanhar numa visita de exploração ao local pré-histórico. Deixámos a estrada principal, quando regressávamos da fronteira, e trepámos com alguma dificuldade o Monte Chinhamapere, localizando as referidas pinturas, as quais representavam dançarinos e guerreiros, munidos de arcos e flechas, todos empenhados na dança. Bosquímanos e negróides bantos, todos se combinavam numa dança desigual para cada dançarino, determinando por esta forma, o seu estatuto já no passado.
PINTURAS RUPESTRES


 
Descemos a Serra, já cansados e com as calças esfarrapadas. Aparecemos em casa com o aspecto de foragidos, mas com a alegria retratada no rosto por termos conseguido ver e sentir alguma presença de vestígios daqueles que foram os nossos ascendentes mais directos – os “Astralopithecus africanus”.
     A província de Manica é uma das mais elevadas do país, e para meu espanto, desconhecendo a razão para a época, deparei-me com plantações de pessegueiros e laranjeiras nas savanas vizinhas. Ao ver estas árvores numa parte distante de África, iludi-me por momentos de que pudesse estar no meu “puto”. Fiquei surpreendido com este facto e relembrei uma pequena passagem por altura das minhas idas a Luanda. Sim, no mercado da “Maria da Fonte”, quando visitava as vendedoras de fruta, olhava com melancolia e saudade as frutas do meu país. Uma vez, uma vendedeira, vendo a minha expressão com sentido de distanciamento, carinhosamente, colocou-me uma belíssima maçã nas minhas mãos, e disse: “Rapaz, mate essa saudade que sente, em comer este fruto da sua terra Natal”. 
Família em V. Manica
     Tudo acometia à saudade, nessa nossa juventude e em paragens virgens e distanciadas.
     No momento, encontrava-me a duzentos quilómetros do litoral (Beira), e a mil e cem quilómetros de Lourenço Marques (Maputo). Estava na hora de voltar, de me despedir dos amigos de Manica e transportar os seus cumprimentos para Saurimo.
     Parto de retorno a Vila Pery (Chimoio), e agora, na companhia dum outro viajante incansável. Um americano, que de mochila às costas, tal e qual como eu, se encontrava nestas bandas após ter percorrido toda a costa ocidental de África. Seguia para a Tanzânia e afirmou-me que o Continente Africano continha mais aventura em ser percorrido. Existia mais “POWER” nas suas selvas e savanas.
     O nosso condutor, indiano de gema, conduzia-nos mais uma vez pela tal estrada perigosa. Eu, o americano e, o asiático. Numa das bermas passámos por um indígena armado. O nosso temor avolumava-se. Seria já algum batedor inimigo?!
     Estaco a meio do percurso aproveitando o cruzamento para Ilhambane, perto de Inchope, e aqui, isolado e no matagal, tento em vão a boleia com destino ao Sul. Zona desconhecida, sem cubatas por perto, com a aproximação da noite, receoso em encontrar animais ferozes, guerrilheiros, perigo eminente, causou-me uns arrepios que ainda hoje sonho com semelhante situação.
     No Google Earth, verifiquei que na actualidade, esse cruzamento ainda se encontra despido de presença humana e situa-se nas vizinhanças do Parque da Gorongosa. Sujeitei-me a ver finalizada a minha comissão…   

Até breve
VÍTOR OLIVEIRA - OCART

segunda-feira, 16 de maio de 2011

LESTE DE ANGOLA - 20


 Memórias de um passado saudoso

DE ANGOLA A MOÇAMBIQUE – JUNHO de 1973


5 de Julho, 5ª. Feira, 7º. dia de férias – Lourenço Marques
Eu e Sé Catedral
     Ainda de manhã, aproveito os raios solares na belíssima praia da Beira. No Macuti, junto ao farol e ao velho casco de navio abandonado em terra, penso na partida para Lourenço Marques (Maputo).
     Entretanto, soube que a minha correspondente Ana Paula tinha andado à minha procura acabando por me deixar um recado escrito no dormitório. Desencontro temporário pois, viria a cruzar-me com ela no regresso à Beira.
     Por volta das 13:00 h parto para o aeroporto aproveitando a carrinha da FAP, e num avião  Nord-Atlas, sigo para a capital – demorando duas horas e poucos minutos na viagem. Era um trajecto semelhante a tantos que fiz entre Saurimo e Luanda. O percurso tem quase a mesma quilometragem e era feito pelo mesmo tipo de avião.
     No ar, observava a paisagem terrestre e pelo que me foi dado analisar, poucas estradas se avistavam assim como, povoações. Somente junto às antigas vilas, Luísa e João Belo, se poderia constatar que o terreno se apresentava cultivado e com imensas irrigações.
     Chegado ao AB 8 (L. Marques), logo me dirigi para a Messe dos Sargentos, localizada no centro da cidade, e aqui me alojei.
     À noitinha, ao jantar, deparei-me com velhas amizades não previstas em reencontrar. O Fragueiro, meu instrutor na Base das Lajes, Açores, e o Pereira, meu colega de curso na Ota. O Globo é pequeno. Em todo o seu redor se encontram pessoas conhecidas…
     Lembro-me que após o jantar fomos ver o filme “The young Churchill” num daqueles cinemas chiques de imitação inglesa. Nesta Província, o snobismo era radical, opondo-se ao populismo Angolano. Era o mundo do laço e da gravata – do parece mal, e da imitação à Sul-africano, Rodesiano e Inglês.
     Pela impressão com que fiquei, gostava mais de viver em Angola, porque se encontrava mais desenvolvida e com gente bairrista. Angola era mais africana!
     Só para se fazer uma pequena comparação em relação à Messe da Força Aérea, nesta, os quartos possuíam telefone e as refeições eram servidas por criados negros, vestidos a rigor. A sala de jantar tinha ar condicionado e havia espelhos espalhados pelas paredes. Era um luxo… Mais parecia estar num Hotel e, simplesmente era uma Messe de Sargentos porém, diferente da de Luanda.
     A apresentação no destino das minhas férias era feito no Comando da capital, e para lá me dirigi. Situava-se na belíssima avenida António Enes. Foi mais um dia a tratar de assuntos FAP, mas a passagem de regresso ficou garantida para princípios de Agosto. Agora, estava livre de poder viajar.
Avenidas de Lourenço Marques
     Seguem-se dias citadinos e os passeios a pé sucedem-se. Havia avidez em percorrer a capital e, daí, palmilhar a avenida 24 de Julho,  o Parque e o Miradouro voltados para o Clube Naval,  e visitar a Igreja de Santo António da Polana. Esta igreja, também conhecida por Igreja em “leque”, foi construída em 1962 e tratou-se dum projecto do arquitecto Nuno Craveiro Lopes, que foi Chefe do Gabinete de Urbanização das Obras Públicas de Moçambique (1952). O seu estilo é de arquitectura modernista e faz com que seja um dos edifícios mais emblemáticos de Moçambique. Tem a forma de uma flor invertida e é popularmente conhecida como o “espremedor de limão” devido às suas formas geométricas. Os seus vitrais coloridos que vão até à cúpula conferem-lhe no seu interior um aspecto quase mágico e de invulgar beleza. Presentemente, é uma das sete maravilhas de Maputo.
Igreja da Polama
     Continuando, desloquei-me ao célebre Museu Álvaro de Castro – o único no Mundo com tubarões, elefantes, leões e outros animais possantes, embalsamados. Répteis, secções determinadas à embriologia, ossadas, conchas, peixes, etc. Algo que não tinha encontrado noutras paragens. Este museu, muito afamado para a época, foi fundado em 1911 e instalado desde 1933 num belo edifício inspirado no estilo Manuelino, construído pela Câmara Municipal. Começou por ser Museu Provincial, depois Museu Dr. Álvaro de Castro, passando a designar-se, após a independência, por Museu de História Natural.
Museu Álvaro de Castro
     De tarde, continuei pelo Mercado Municipal, tão característico e conhecido em todo o Império Colonial. Daqui, passei pela feira popular e rocei a espantosa Sé Catedral, Câmara, jardim Vasco da Gama, Estufa-fria, Museu histórico da Fortaleza e o porto da cidade. Cidade rectilínea, moderna, com avenidas de vários quilómetros. Em tudo, não era inferior a Luanda.
Catedral
     Passo pela estátua representativa da 1ª. Grande Guerra Mundial, dirijo-me para a conhecida Estação de Caminho de Ferro e entro num outro museu contendo instrumentos náuticos e geodésicos. 
Percorro mais avenidas e reconheço as maiores – República e Pinheiro Chagas. Já se avistavam construções de trinta andares, demarcando esta cidade com uma das maiores da costa oriental africana. Compatibilizava com a cidade de Durban, na África do Sul.
     Grande movimentação de viaturas e múltiplos turistas Sul-africanos, raça branca, pairava em tudo o que era sítio, tal a proximidade de fronteiras. Chineses e Indianos, menos do que na Beira.

     Encontrava-me a 26 graus de latitude Sul, e nestas paragens, à noite, o frio apertava.
Estação do caminho de Ferro

     Continuo em dias sucessivos pela capital e parto para o jardim zoológico. No local, assisto a batuques, cantares e danças da raça negra – daquela raça de descendência Gungunhana. E, para relembrar o passado, faço o reparo para a conhecida sala de cinema “Gil Vicente”, onde há cerca de quarenta anos atrás vi o filme “Amor sem remorso” com Peter Fonda como principal actor.
Fortaleza
Num desses dias, ao entardecer, fui ao circo Mariano. Circo de nomeada, pelo que me fazia lembrar o mesmo “Mariano” que passava pela minha pequena cidade aquando criança. Aqui, curiosamente vi o cantor Marco Paulo. Acompanhava o espectáculo nas suas deambulações. Talvez tivesse iniciado a sua carreira artística desta forma pois, lembro-me que ele ainda era um jovem de cabelo alourado, para esse tempo. Gostei do seu canto!...
     Não parava. Pensando ser a única oportunidade de me encontrar em tais paragens, tudo queria ver e registar.
Cinema Gil Vicente
     Entro na mesquita de Aga Khan, a mesma que continha à entrada numerosos sapatos, e nesta, a que alguém recentemente tinha introduzido maldosamente um porco. Já havia malícia nesses tempos… O muçulmano estava bem radicado nestas paragens ainda sob o domínio português.
     Na outra margem, lá longe, havia uma península idêntica à Ilha de Luanda. Era Catembe e, esse longe, tornou-se perto. De barco atravessei o canal, e à distância, observei a grandeza da capital de Moçambique com os seus arranha-céus estatelados no horizonte. Foi uma paisagem tomada à légua.
     Percorro o extenso areal observando a longa baía e escuto as sirenes dos batelões, agora chamados de “catembeiros” pelo povo residente. De quando em quando apanhava uma graciosa concha, daquelas raríssimas preciosidades que ainda hoje compõem a decoração da minha casa.
     Por fim tomo o barco “Neptuno” e volto à cidade, ao lar, doce lar da minha tropa, e já cansado de tanto andar.
Lourenço Marques vista de Catembe
     Para finalizar esta estadia, e após um restauro alongado, fui passar a noite com a camaradagem vadia, pela conhecida “Rua do Crime”. Era esta a rua com bares de porta sim, porta sim, cheia de multidão, música aos berros, montanhas de luzes e coloridos anúncios de néon a acender e a apagar. Junto a cada porta, viam-se meninas de coro, muito pintadas e com umas coisinhas penduradas nas pontas das maminhas. Movimento aguerrido com marujos e turistas sul-africanos naquilo que mais parecia uma “Las Vegas” do Índico.
     Por curiosidade, vi a saber que esta rua com a denominação de “Crime”, foi substituída pelo nome de Rua Bagamoyo. Outrora, era a Rua Araújo em homenagem a Joaquim Araújo, 1º. Governador do Presídio de Lourenço Marques, nomeado em 1781. Era natural de Lisboa, Campolide, e nasceu em 1726, tendo ido para a costa oriental de África em 1748. Casou e estabeleceu-se em Moçambique. Foi capitão-tenente da Armada.
     Foi nesta Rua Araújo, do Crime, Rua Bagamoyo, que me perdi por uma noite!
Rua do Crime
      Enfim, as duas cidades principais já estavam visitadas. Faltava percorrer a savana, as cubatas, as fronteiras e o negro africanismo… Assim, continuarei na próxima narração.
Até breve
VÍTOR OLIVEIRA - OCART

segunda-feira, 18 de abril de 2011

LESTE DE ANGOLA - 19

  Memórias de um passado saudoso

DE ANGOLA A MOÇAMBIQUE – JUNHO de 1973


1973 – finais de Junho, princípios de Julho – Pequena estadia na Beira

     Instalado no Edifício Bucelar, no centro da Beira, e na ânsia de conhecer a cidade, logo percorri os locais mais bonitos da década de 70. Da moderníssima Estação de Caminho de Ferro até ao afamado “Moulin Rouge”, passando pela Praça onde se situava a Estátua de Caldas Xavier, visitei a Catedral, a Mesquita, e finalizei o percurso vagueando pelas avenidas arborizadas de frondosos cajueiros.
     De ambos os lados das ruas avistavam-se diversas casas comerciais tipicamente ornamentadas à moda oriental, (chinesas, paquistanesas, indianas) e outras, africanas com carisma muçulmano. Nomes como “Oman”, “Check” e tantos outros, surgiam a cada canto para identificarem as múltiplas nacionalidades. Mundo diferente voltado para o Oriente - novidade e encanto por conhecer!




     À noite, após um apaziguamento paisagístico, assento em contactar com uma correspondente mista de “grego-africana”, ligação ainda conseguida nas minhas vivências por Angola.
     “Mista grega” - era assim o que caracterizava a minha amiguinha Ana Paula, filha de pai grego e de mãe moçambicana.
     Feita a apresentação, seguiu-se uma manhã imediata com passeio pela praia do Macuti, a mais conhecida e chique da zona Beirense 
Estatelados ao sol, junto ao farol e a um velho navio encalhado, muita conversa rolou… De manhã, voltados para o mar e para o sol pois, vivia-se na parte oriental de África, tentávamos perscrutar a grande ilha de Madagáscar, algures escondida no horizonte da curvatura da Terra. Quatrocentos quilómetros de distância marcavam a diferença e apenas ficava a lembrança daquele mar percorrido, em tempos gloriosos, por naus portuguesas a caminho da velha Índia e sob o efeito das Monções.. Nestes mesmos mares, e com acontecimento bem mais recente, relatou-me a minha nova companheira de que uma naufraga Sul-africana que velava pela costa, esteve para ser atacada por um “contingente” de tubarões. 

Dada já como perdida, eis que uns amigáveis golfinhos fizeram tudo para a proteger. Afastaram os tubarões, e com trombadas meigas, arrastaram a sobrevivente para terra colocando-a a salvo e a bom porto.
  Foi notícia em Angola, antes da minha partida.
     Pela costa moçambicana corre a corrente quente de Mombaça, e em toda a linha oriental de África, migram os terríveis tubarões de variadas espécies, principalmente o tubarão tigre. Nos mesmos mares, e em zonas específicas, abundam numerosos golfinhos que lutam ferozmente contra estes tubarões a fim de protegerem os seus territórios. Daí, a razão do milagroso salvamento…
     Continuando pela praia, os nossos banhos tinham que ser de baixa altitude. Nunca se devia fiar no atrevimento de algum bicho marítimo. O mar apresentava-se barrento devido à movimentação das águas turbulentas e lodosas do rio Pungué, que se estatelavam no oceano à beira da capital de Sofala. Praias de grande extensão, e por todas elas, viam-se rodesianos a praticarem a pesca duma forma inédita. Utilizavam a cana porém, o fio, após lançado ao mar, tinha uma ligação a um papagaio de papel dirigido pelo pescador. Com o encurtamento ou afastamento do papagaio, assim se dava ou retirava o lastro à linha do anzol, orientando a melhor zona de pesca.
     De correspondente, passámos a amigos, e de amigos, continuámos a sê-lo…

     À noitinha, por combinação com velhos amigos da Força Aérea, controladores por especialidade (Vassalo e Alves Ferreira), fomos tomar umas bebidas ao conhecido Bar da “Mexicana”. Nesta ocasião, o Vassalo, ferrenho caçador, convidou-me para uma caçada no Parque da Gorongosa. Tudo isto, para o dia seguinte a às primeiras horas do dia.
     Ao raiar do sol, a nossa equipa já se encontrava em marcha em direcção ao Parque de safaris de Chitengo, na Gorongosa. Eu, partia como mirone – mero espectador.


     Já tinha falhado a um espectáculo semelhante, por ocasião da minha viagem nos confins do Cunene, a Sul de Sá da Bandeira e nos limites da fronteira com a Namíbia. Agora, tinha que assistir a uma bela caçada, quer de elefantes ou, de outro animal possante que fosse.
     De Chitengo, seguimos para a picada da Urema, ao longo do rio com o mesmo nome. Procurámos vestígios da presença de elefantes em áreas com ervas altas ou acácias amarelas. As ervas altas pisadas e os ramos e troncos de acácia amarelas partidos indicavam-nos a passagem de elefantes por esta zona.
     Pista encontrada, seguimos o trilho com a cautela devida. Na perseguição à manada, favorecia-nos a direcção contrária do vento, e assim a aproximação aos paquidermes ficava resguardada de maiores perigos.


     De repente, surge-nos a pouca distância, uma manada de possantes e belos elefantes. Mamíferos com cerca de três metros de altura e com número idêntico de toneladas de peso. A matriarca seguia à frente logo seguida de vários descendentes e as suas crias. Era dum real encanto ver esta cena ao vivo porém, para quem não estivesse habituado, sentia-se um certo temor.
     Os caçadores mais experientes colocaram-se em posição de tiro. Outros, em combinação, estavam em postos secundários e, eu, distanciado e em local seguro, assistia ao espectáculo da caça.
     Disparou-se o primeiro tiro, e outros se seguiram. Abate-se o corpulento mamífero, assiste-se a uma cena rara, mas que de belo só permaneceu a paisagem. Morria um nobre animal…
     Tinha saciado a curiosidade e fiquei entristecido com a agonia do lindo descendente de mamutes. Não voltaria à mesma observação pois, o marfim não justificava o acto praticado.


     Já noite, regressámos à Beira. Picada, sobre picada, asfalto, sons de selva tenebrosos, escuridão e luar, tempo abafado, excitação, e eis-nos na camaradagem entre conversas e copos. Nos rumores transmitidos, soubemos que nas montanhas da Gorongosa, mais a Norte, e num safari, tinha falecido o cirurgião do Generalíssimo Franco. Fora morto num ataque de surpresa pelos nossos inimigos à época. A guerrilha aproximava-se da cidade, e nós estivemos próximos de maior perigo que não fossem os elefantes e outros tipos de bestas.
     Movimentaram-se os “Fiat´s” de Tete para esta zona com bombardeamentos diversos. 
     Apaziguou-se a situação. 
     Enfim, outro dia despontava, outro rumo deveria seguir. Da Beira a Lourenço Marques era um pulo de avião. A viagem estava marcada e será discutida na crónica seguinte.

Até breve
Vitor Oliveira OPCART

domingo, 20 de março de 2011

LESTE DE ANGOLA - 18

Memórias de um passado saudoso
DE ANGOLA A MOÇAMBIQUE – JUNHO de 1973

   1973 – 29 de Junho, 6ª-feira, 1º. dia de viagem por terras de África

    Estou de abalada. Inquieto, aguardo com ansiedade a partida de Henrique de Carvalho para Luanda.
     Passam-se longos minutos e todos os passageiros se interrogam pela espera que têm feito. O “Nord Atlas” mantinha-se na placa de estacionamento e, a tripulação aguardava com expectativa os colegas que estavam para chegar do Luso. Tratava-se de alguns especialistas que deveriam seguir para a Metrópole a fim de frequentarem o curso de Furriéis. Do Luso, tomavam o “Nord” em Saurimo, e de Luanda rumariam ao “puto”.
     Assim, iniciava o meu voo ao escurecer, contrariamente ao que era usual neste avião de Sexta-feira.
     Na rota, tantas vezes viajada por mim, avistei as queimadas africanas. Agora, na escuridão, a paisagem surgia no seu esplendor. Esta imagem ficou-me gravada na memória -- não fosse ter visto com frequência os quadros a óleo vendidos junto à marginal de Luanda. África a arder!
     Na capital, o que fazíamos normalmente?
     Passear, sobretudo pelas avenidas mais movimentadas. Marginal, Portugália, Mutamba, Polo Norte, cervejaria Biker, Maria da Fonte, Mercado, edifício da Cuca, avenida dos Combatentes, e se continuássemos por esta avenida, embicávamos nos lugares super conhecidos do Marçal e do Bairro Popular. 
Aliás, todas as estradas se direccionavam para estes aprazíveis locais! 
Queimadas e rios na rota de Saurimo
   Nesta altura, mas desta vez fora destas “paragens”, acompanhava-me o sargento Prates.  
     Nunca se andava sozinho. No buliço citadino, o colega marcava presença para se beber, conversar, ir ao cinema “Império”, dar um passeio pela Ilha e subir até ao sétimo andar, finalizando a “parada” na esplanada da Messe dos sargentos. Camarão e cerveja – não faltavam.
     Porém, o meu destino não era Luanda. Esta cidade era simplesmente mais um ponto de passagem para os lugares mais longínquos que se avizinhavam e, como tal, teria que dar seguimento ao meu propósito. Dirigi-me à “Região Aérea” para marcar passagem no avião militar para Moçambique. Aproveitei esta deslocação para fazer umas compras no “D.B.I.” e fui ao Banco de Crédito cambiar escudos angolanos por moçambicanos -- câmbio favorável que me facilitou as despesas no Índico… 

      À noite, conjuntamente com o 1º. Sargento Guerreiro, vivemos o bailarico até às tantas, numa daquelas noites de bom calor… noite tropical.
Av. dos Combatentes e Marginal de Luanda
    Já no Domingo, 1 de Julho, levanto-me cedinho para apanhar o “Boeing-707” da FAP, com destino à Beira. No aeroporto de Luanda, o meu peito enchia-se de ar. Na minha mente, palpitava a aventura. Cruzar África e chegar ao Índico, era um sonho!
     Mais uma delonga, mais uma partida e, esta, forçada. Após meia hora de voo, já em céus de Cuando-Cubango, eis que algo nos dita o regresso, e o regresso à Base. Houve uma fuga de pressão, e a carga mal distribuída no interior da aeronave fizeram com que voltássemos à origem, para a devida reparação. E, antes isso!...
     A viagem estava a começar mal, mas eu estava entregue à fantástica FAP e, todos os problemas fossem aquele. Deslocámos e seguimos o caminho aéreo que se prolongaria por mais três horas e quarenta e cinco minutos.
     O interior do avião encontrava-se completamente desmiolado. Meia dúzia de assentos na parte da frente, e uma pequena carga na traseira. Em quase toda a extensão do avião havia um vácuo, e para o ocupar, um catraio jogava à bola como se tratasse dum campo de futebol. Giro, imaginar um entretenimento semelhante a cerca de dez mil metros de altitude!
     Eu comecei por assistir aos chutos do petiz, mas acabei por entrar na jogatina -- não deixando de mirar as paisagens do centro africano. A região pantanosa do Zambeze, as intermináveis migrações dos gnus – quais manchas escuras em fila indiana a percorrerem aquela vasta savana rumo ao Norte. Partes desérticas do Botswana, cataratas da Rainha Vitória, a cidade do Bolawaio na ex-Rodésia e, por fim, a fronteira Moçambicana com as suas montanhas de Manica a demarcarem a divisão territorial.
     Percorri toda a intersecção do mal afamado “Mapa cor de rosa”. Agora, encontrava-me na segunda maior Província Portuguesa, e de Sofala à Beira, era um pulo.
Cataratas da rainha Vitória  ex-Rodésia
     Da Base (B.A. 10) à messe percorriam-se treze quilómetros, e ao atravessar a segunda maior cidade moçambicana, fiquei com outro tipo de impressão. Povos de diferentes raças (muçulmanos, paquistaneses, chineses, indianos) todos com vestuários e pinturas características. Olhos rasgados, corações vermelhos na testa, sinais cor do ouro junto ao nariz, veste até aos pés, cabelos pretos retintos, longos e lisos. Tudo, para a época, marcava uma real diferença pois, o hábito de ver tais costumes era raríssimo na nossa “sanzala”.
     Rodesianos, havia-os por todos os lados, e para meu espanto, todo o mundo conduzia pelo lado contrário, tipo inglês.
     Bem, obriguei-me a estacionar por esta maravilhosa capital, detentora do “Moulin Rouge”.
     Por aqui fiquei mais uns dias para regularizar a minha estadia e apresentar-me às autoridades militares. Havia que assegurar as outras viagens pelo interior da Província e marcar o regresso a Angola.
     O percurso terrestre estava delineado porém, no próprio terreno, teria que rever a rota.
     Moçambique era mais belicoso, as estradas nem sempre estavam livres de armadilhas, o Norte era ameaçador, a Gorongosa tinha sido atacada há dias atrás. O perigo chamava a atenção para o necessário acautelamento. Viajar sozinho, à boleia, em território em guerra — era duro.  Havia necessidade de perscrutar os nossos conterrâneos mais velhinhos!
Beira com as suas tradicionais praças


Até breve
O amigo Vitor Oliveira Opcart







quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

LESTE DE ANGOLA - 17



Memórias de um passado saudoso
DE ANGOLA A MOÇAMBIQUE – JUNHO de 1973

Nesta data, somo vinte e três meses de comissão no Leste de Angola e encontro-me com 24 anos de idade. É assim que começa o meu roteiro que descreve a minha atribulada viagem a Moçambique, ainda como militar.


      Mas antes de partir, quero fazer uma descrição de alguns preparativos que antecederam a viagem inaugural.
       Recordo que, para aguentar por estas paragens, sempre tentei arranjar distracções diversas e aproveitá-las da melhor forma enquanto me  obrigavam a esta estadia em terras africanas.
      Depois de uma volta pelo périplo Angolano, deparo-me com a intenção de atingir a Costa Índica e, para isso, seria necessário preparar cuidadosamente uma viagem de maior envergadura.

       Inicialmente, pensei em fazer o percurso via terrestre atravessando o Sul de Angola, caminhando pela Namíbia, África do Sul, e chegar a Lourenço Marques – hoje, Maputo. Em Moçambique, delinearia nova rota por todo esse vasto território.  

PALÁCIO DO GOVERNO DA LUNDA
   Esta aventura continha algo de incerto e perigoso pois, seriam milhares de quilómetros a percorrer por Províncias turbulentas e por países estrangeiros. Necessitaria de três meses de férias e, um Passaporte dificílimo de conseguir – para a época em questão.

     Haveria de começar por algum lado, e para iniciar este acontecimento, começo por dirigir-me ao Palácio do Governo Civil da Lunda para requerer o quase impossível Passaporte. Após alguns dias de espera e expectativa, sou informado na Base, por um colega graduado, de que me deveria apresentar para uma entrevista com um delegado da D.G.S., no café do Hotel “Pereira, Rodrigues”. Isto, no centro da cidade de Saurimo.
     Na altura, suponho que o nosso companheiro Álvaro de Jesus já trabalhava como civil, sendo operador de comunicações para este tipo de serviços, e serenou-me os meus receios…
     Docilmente entrevistado por um funcionário dito amigo “dos FAP”, eis que me é passado o passaporte em Abril de 1973, e curiosamente, com declaração de validade para todos os países com os quais  Portugal mantinha relações diplomáticas.

DELEGACIA DE SAÚDE DE SAURIMO
Em complementariedade ao passaporte, seria necessário actualizar as vacinas e, para tal, desloquei-me à Delegação de Saúde de Saurimo a fim de tomar as devidas precauções. África era o continente das malárias, febres amarelas, paludismo, cóleras, e algo mais de maleitas indesejáveis…

     Ainda faltava algo mais de difícil concretização! Os três meses de ausência e, esses, não fui capaz de conseguir!...
     África do Sul com a sua maravilhosa cidade do Cabo, ficaria para outra altura da vida. O Cabo da Boa Esperança, tão desejado por conhecer, teria que aguardar por muitos mais anos…
     Que fazer?
      Traçar uma só rota Moçambicana e, daí, partir para o desconhecido. Seguir-se-iam sete voos, e o palmilhar de cinco mil quilómetros terrestres e, mais uma vez, de mochila ás costas, sozinho --  assim continuo por esse mundo fora…
     Estudo a Província, demarco os variados destinos com passagem por Lourenço Marques, Vila Luísa, João Belo, Inhambane, Vilanculos, Inchope, Gorongosa, Inhaminga, Marromeu, Quelimane, Pebane, Moma, António Enes, Ilha de Moçambique, Nacala, Nampula, regresso a Quelimane, e continuo por Vila Pery, Vila Manica e Beira.
      Reforço certos locais de visita, tais como: Reserva de elefantes no Maputo, grutas rupestres de Manica, catedral, museu, fortaleza e mesquita de Lourenço Marques, reserva de hipopótamos de Vila Luisa, praias de Tofo e Inhambane, parque da Gorongosa, reserva de búfalos em Marromeu, e fortaleza e mesquita na Ilha de Moçambique.
      Relembro-me que o colega Sachetti me tinha emprestado uma camisola vermelha “Lacoste”, e outro companheiro, cedeu-me um boné plastificado – também ele, de vermelho.
      Recordo que o Sargento Guerreiro me solicitou que levasse uma prenda para o sogro, estacionado na fronteira da Rodésia. Abordo esta passagem porque, terá interesse para uma narrativa futura. A minha intenção seria passar por Vila Manica, e coincidia com a localidade onde vivia este sertanejo…
      Com viagens programadas de avião, concedidas pela Força Aérea, autorizadas de momento – meto foquetes para iniciar a minha segunda aventura africana. Estávamos a 29 de Junho de 1973. Era numa 6ª. feira. O Nord Atlas, teimoso em partir, aguardava o arranque dos motores…
BRRUMMMM…. BRRUUUUMMMM….
Até Breve
O Amigo Vítor Oliveira – OCART